SAÚDE  

Sou esquecido, será que posso ter Alzheimer?

Saiba mais sobre a doença e como ela está sendo tratada no município

Imagem: BIOSOM

 

Por Tales Bocker

Esquecer as chaves, a janela aberta ou a porta, esquecer o leite no fogo entre outros. Muitas vezes acabamos cometendo alguns desses esquecimentos, não é mesmo? Mas ter problema de esquecimento, significa que posso ter Alzheimer no futuro?

O Alzheimer é uma doença degenerativa, que afeta uma a cada oito pessoas com 65 anos ou mais. A doença provoca o esquecimento gradativo, pois mata as células nervosas e provoca o encolhimento de tecidos do cérebro, dificultando atividades cognitivas e memória. Causando perda de funções do cérebro, cujos sintomas aparecem lentamente, diminuindo a saúde física e mental dos idosos. É possível perceber vários estágios:

– Fase inicial: ocorre perda de memória e perda da noção de tempo e espaço.

– Fase intermediária: começam as dificuldades para falar e demonstrar o que sente. É preciso ajuda para as atividades do dia-a-dia.

– Fase terminal: o doente é incapaz de reconhecer-se ou de ficar sozinho.

No Brasil, estima-se que 55 mil novos casos de demências ocorram todos os anos, a maioria decorrentes de Alzheimer. A grande preocupação é que este número só aumenta e uma das causas decorrentes desse aumento é que não deve haver médicos suficientes para tratar os casos que devem surgir.

 

FALTA DE PROFISSIONAIS

Segundo o Conselho Federal de Medicina (CFM), atualmente há 1.817 geriatras no país, e 60% deles estão na região Sudeste. É um especialista para cada 15,4 mil idosos, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda um geriatra para cada mil idosos.

Dados da secretaria municipal de saúde, obtidos com exclusividade pelo Jornal Extra, mostram que são mais de 12 mil idosos (acima de 65 anos) cadastrados em Guarapuava. Pelo menos 326 pessoas esperam na fila para obter um medicamento especifico para o tratamento na 5ª Regional de saúde, que atende a 20 municípios

“Muitos pacientes ainda podem estar em casa sem ser diagnosticado ou mesmo diagnosticado, ainda não realizou o cadastro para conseguir a medicação.” Constatou, Etiene Rabel Corso que atua no serviço social da Associação de Estudos, Pesquisas e Auxílio às Pessoas de Alzheimer (AEPAPA).

 

UMA MÃO AMIGA

A AEPAPA, atua em Guarapuava a seis anos e conta com uma equipe preparada para o auxílio a essas pessoas, bem como as famílias, que também necessitam de orientação. Dentro da associação, 56 idosos estão cadastrados recebendo cuidados e atenção, com visitas na residência e programas que visam o entretenimento e desenvolvimento dos pacientes.

Mas afinal de contas, uma pessoa mais jovem que tende a esquecer as coisas, pode desenvolver Alzheimer no futuro? A resposta é não. Estes esquecimentos que acontecem corriqueiramente muitas vezes tratam-se de estresse, quanto ao Alzheimer, é um processo de envelhecimento do cérebro que diminui as funções cognitivas, por isso comumente acontece com idosos, quem nos explica é a Psicóloga Laurine Abilhôa que também atua na AEPAPA.

Para as famílias o impacto é grande, uma vez que devem se reorganizar em outra rotina com cuidados e mais atenção. Segundo a Psicóloga quem se torna cuidador, também deve ser assistido. “Com o diagnóstico de Alzheimer, há mudanças em toda dinâmica familiar. Devido a fragilidade da pessoa idosa, pelo déficit progressivo das funções cognitivas, vai ficando cada vez mais dependente, necessitando de um cuidador integral, que normalmente é um filho ou o cônjuge. Esse cuidador acaba tendo que abdicar do trabalho, da vida social e às vezes até da própria casa para viver em função do cuidado dessa pessoa, conforme a rotina vai passando, e até pelo avanço da doença e mudanças de comportamento da pessoa com DA, a sobrecarga de estresse e isolamento do cuidador é muito grande, tornando-o mais suscetível a desenvolver depressão ou transtornos de ansiedade, por isso deve ser assistido também.” Afirma, Laurine

A instituição AEPAPA é sem fins lucrativos e conta com contribuições, se você tem interesse em ajudar, pode ligar no (42) 3304 5458, ou você pode se dirigir até a instituição com sua doação, que pode ser alimento, fraldas (principalmente) ou alguma contribuição cultural e até mesmo o trabalho voluntário. O endereço é Rua Vicente Machado, 145 – Trianon – CEP 85012-250 – Guarapuava, Paraná, Brasil.

Enquanto não há cura para a doença degenerativa nem recursos suficientes para tratá-la, as ações de conscientização focam na prevenção.

De acordo com o Dr. Guilherme Chao que atua na Ortoclin Medicina Preventiva e diagnóstica, o mal de Alzheimer é uma doença de difícil tratamento farmacológico e por isso todo esforço para tentar afasta-la ou retardar a sua chegada é tão importante. Pensando nisto, é necessário adotar medidas voltadas a qualidade de vida, como:

– Alimentação balanceada; tentar manter uma dieta rica em vitaminas e minerais, comer frutas e verduras e evitar carne vermelha e alimentos gordurosos.

– Atividade Física regular; estudos sugerem que a prática de atividade física regular ajuda na prevenção da doença.

– Boa qualidade de sono; é durante o sono que armazenamos tudo que aprendemos durante o dia.

– Manter doenças como diabetes, hipertensão arterial e obesidade sob controle.

“Ainda, costumo, a grosso modo comparar nosso cérebro a um músculo: quando exercitamos um músculo ele fica forte, se relaxamos ele fica fraco e frágil. Nosso cérebro funciona mais ou menos da mesma forma; pesquisas sugerem que pessoas com poucos estímulos mentais tendem a apresentar os sintomas da doença mais cedo.” Afirma o Dr. Guilherme

Para idosos, é fundamental avaliar a pressão arterial pelo menos uma vez por ano. Caso recomendado por um médico, o uso de medicamentos para controlar a pressão e o nível de açúcar no sangue também é importante. Depois de ter o corpo são, resta cuidar da mente. Manter o cérebro ativo, pela busca de novos conhecimentos e estímulo de novas conexões dos neurônios é uma forma se preparar para quando a idade mais avançada chegar.