SAÚDE  

Sim, vamos falar sobre depressão

A doença afeta mais de 300 milhões de pessoas no mundo todo, e os números só crescem. Se não for tratada como tal, ela pode progredir para algo mais grave. O assunto é sério e precisa ser debatido

No Brasil, mais de 75 mil pessoas foram afastadas do trabalho por depressão em 2016 (Foto: Reprodução)

 

Jonas Laskouski

 

A morte de Cezar Silvestri, na madrugada do último domingo (21) traz à discussão um dos assuntos mais controversos da área da saúde e da psicologia. ‘Controverso por que?’, você pode se perguntar. E a resposta é simples: muita gente ainda enxerga a depressão como frescura ou o tal ‘mimimi’. E se você é um deles, saiba que você está cometendo em grande equívoco, podendo, inclusive, contribuir para a evolução desta doença. Sim, meus caros. A depressão é uma doença e está mais que na hora de ser tratada como tal.

O Extra Guarapuava pede licença à página Minha Vida para reproduzir parte de um material publicado como apoio ao Setembro Amarelo, como um alerta. Foi o recado inconsciente que Cezar pai deixou para todos nós, que permanecemos em vida.

Cada um de nós enfrenta lutas, às vezes insanas, que somente nosso interior sabe como é. Todos temos nossos problemas e lidar com eles é um desafio diário. Volta e meia, circula na internet a seguinte frase: “Todas as pessoas que você conhece estão enfrentando batalhas que você não sabe nada a respeito. Seja gentil”. Pelo menos isso. Jornalistas podem ajudar com informação e especialistas, com tratamento. Mas a solução definitiva está nas mãos de cada um.

 

O QUE É DEPRESSÃO

A depressão é um distúrbio afetivo que acompanha a humanidade ao longo de sua história. Pessoas que sofrem com distúrbios de depressão apresentam uma tristeza profunda, perda de interesse generalizado, falta de ânimo, de apetite, ausência de prazer e oscilações de humor que podem culminar em pensamentos suicidas.

Por isso, o acompanhamento médico é imprescindível o tanto para o diagnóstico quanto para o tratamento adequado. A depressão atinge mais de 300 milhões de pessoas de todas as idades no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, a estimativa é que 5,8% da população seja afetada pela doença.

 

TRISTEZA X DEPRESSÃO

Há uma grande diferença entre tristeza e depressão. A tristeza pode ocorrer desencadeada por algum fato do cotidiano, onde a pessoa realmente sofre com aquilo até assimilar o que está acontecendo e geralmente não dura mais do que quinze a vinte dias. Já a depressão se instala e se não for tratada pode piorar e passar por três estágios: leve, moderada e grave.

 

 

Geralmente a pessoa pode apresentar dois ou mais dos seguintes sintomas: apatia, falta de motivação, medos que antes não existiam, dificuldade de concentração, perda ou aumento de apetite, alto grau de pessimismo, indecisão, insegurança, insônia, falta de vontade em fazer atividades antes prazerosas, sensação de vazio, irritabilidade, raciocínio mais lento, esquecimento, ansiedade e angústia.

Além disso, o indivíduo pode apresentar alguns sintomas físicos que os médicos não conseguem encontrar causas aparentes, como dores de barriga, má digestão, azia, constipação, flatulência, tensão na nuca e nos ombros, dores de cabeça, dores no corpo e pressão no peito.

Estes são alguns dos indícios da depressão. Mas, se houver dúvida, procure um especialista para ter um diagnóstico e tratamento corretos. Não tenha medo ou vergonha de expressar o que realmente está sentindo e vivenciando, pois esses profissionais irão se basear nestes dados para poderem prescrever um tratamento e a partir daí, o paciente voltar a ter qualidade de vida, com alegria e bem estar.

 

RELAÇÃO ENTRE O SUICÍDIO E A DEPRESSÃO

O suicídio e depressão são muito relacionados. Contudo, nem todas as pessoas que apresentam um transtorno depressivo têm o risco de cometer suicídio. A tendência a tirar a própria vida está relacionada a alguns fatores, sendo os mais importantes os seguintes:

– A gravidade do quadro depressivo: nos quadros depressivos graves, a porcentagem de tentativa de suicídio é muito mais elevada

– O uso de álcool e drogas: que podem causar estados depressivos pós uso e são extremamente graves, pois potencializam estados depressivos já existentes

– Situações existenciais pessoais com uma somatória de fatores: idade, presença de uma doença crônica ou terminal, desesperança

– Presença de traumas psicológicos como os abusos sexuais infantis.

Qualquer pessoa que tenha um agravamento muito severo de um quadro depressivo, a ponto de não querer mais viver (mesmo que não mencione se matar), é um candidato em potencial ao suicídio. A depressão é uma doença multicausal e bastante complexa. Vários são os fatores que podem agravá-la a ponto de levar uma pessoa a tirar a própria vida:

– A dificuldade ou recusa em buscar ajuda ou tratamento: a doença vai tendo uma evolução progressiva levando o indivíduo à total falta de energia

– Doenças orgânicas: Parkinson, algumas doenças reumáticas, alguns tipos de tumores, entre outras doenças, podem produzir como consequências físicas e psíquicas um estado depressivo muito intenso.

– Situações de perda muito intensas, que produzam uma verdadeira ruptura de valores do indivíduo. É como se ele perdesse (ou fosse perder) tudo que significa ou dá sentido a sua vida. Não tendo outros valores para continuar vivendo, tira sua vida.

 

CAUSAS

A depressão é na realidade uma ampla família de doenças, por isso denominada Síndrome. Há uma série de evidências que mostram alterações químicas no cérebro do indivíduo deprimido, principalmente com relação aos neurotransmissores (serotonina, noradrenalina e, em menor proporção, dopamina), substâncias que transmitem impulsos nervosos entre as células. Outros processos que ocorrem dentro das células nervosas também estão envolvidos.

Ao contrário do que normalmente se pensa, os fatores psicológicos e sociais, muitas vezes, são consequência e não causa da depressão. Vale ressaltar que o estresse pode precipitar a depressão em pessoas com predisposição, que provavelmente é genética. A prevalência (número de casos numa população) da depressão é estimada em 19%, o que significa que aproximadamente uma em cada cinco pessoas no mundo apresenta o problema em algum momento da vida.

 

BUSCANDO AJUDA MÉDICA

É perfeitamente normal sentir-se triste, chateado ou infeliz com situações estressantes da vida. Contudo, pessoas com depressão experimentam essas sensações constantemente durante por anos. Isso pode interferir nos relacionamentos, trabalho e atividades diárias.

Se você apresenta os sintomas de depressão e acredita que isso esteja atrapalhando duas atividades e modo de vida, busque ajuda. Se não tratada efetivamente, a depressão pode progredir para algo mais grave, como as tentativas de suicídio.

Como perceber que uma pessoa com depressão pode estar
próxima do suicídio?

Geralmente a pessoa manda uma série de sinais através do comportamento, mas que nem sempre são percebidos ou então não são levados a sério. Qualquer pessoa que tenha um agravamento muito severo de um quadro depressivo, a ponto de não querer mais viver (mesmo que não mencione se matar), é um candidato em potencial ao suicídio. Se nessa situação falar que quer morrer deve ser levado a sério, pois muitos que ameaçam o suicídio realmente fazem a tentativa, às vezes não por vontade de se suicidarem propriamente, mas simplesmente por estarem cansados de viver.

 

DEPRESSÃO TEM CURA?

Desde que tenha sido realizado um diagnóstico correto que leve em consideração todos os fatores envolvidos, se pode esperar uma melhora total do quadro depressivo. As expectativas são atualmente muito boas. Com os métodos de tratamento atuais, e principalmente com os fármacos de ultima geração, o prognóstico é realmente muito bom.