Comboio da Saúde retoma cirurgias oftalmológicas

Após mais de um ano com as cirurgias eletivas suspensas por causa da Covid-19, o Paraná tem realizado um esforço adicional para acelerar a retomada dos procedimentos. Além de R$ 150 milhões do Tesouro do Estado para o programa Opera Paraná, o Governo iniciou o primeiro Comboio da Saúde, para realização de consultas e exames pré-operatórios para procedimentos de catarata e pterígio.

A estratégia itinerante, inédita no Estado, tem por objetivo acolher parte dos pacientes que já estão na fila de espera para adiantar as consultas e exames pré-operatórios e dar andamento no processo de realização da cirurgia. Para os procedimentos cirúrgicos oftalmológicos, o Paraná destinou mais R$ 10,3 milhões que devem resultar em pelo menos 5,8 mil cirurgias.

Maria Catarina de Moraes Sipoli, de 80 anos, precisa fazer a cirurgia de catarata há sete anos. Agora, com a oportunidade do Comboio, retomou o processo antigo. “Eu achei ótimo esse programa, estou contente que agora vou conseguir resolver e voltar a enxergar como antes”, disse. Ela foi atendida em Ibiporã, no Norte do Estado, nesta quinta-feira (12), município que deu largada ao projeto.

Só em Ibiporã foram realizadas aproximadamente 100 consultas graças ao Comboio nesta semana. Destas, 90% para procedimentos de cataratas e 10% para pterígio. Ao todo, cerca de 570 exames foram necessários e todos os pacientes passaram para a etapa de confirmação da data para as cirurgias. Em todo o Paraná, o número de pessoas que aguardam estes procedimentos é de 12.916 e 7.153, respectivamente.

A ideia do Comboio reforça a estratégia da regionalização da saúde, aproximando os serviços da casa das pessoas. Há uns dois meses Maria Aparecida da Silva Carvalho, 65 anos, entrou na fila para cirurgia de catarata. “É bem rápido, agiliza mesmo. Se não fosse essa ideia eu teria que ir para Londrina, voltar para Ibiporã e então tudo isso iria demorar. Mas agora já vamos com tudo pronto para a cirurgia”, disse.

Programação – O Comboio deve realizado ainda em Jandaia do Sul, Cornélio Procópio, Ibaiti, Campo Largo, Arapoti e Telêmaco Borba nas próximas semanas. A divulgação do atendimento está sendo feita pelas Regionais de Saúde e as prefeituras.

Para realização das cirurgias, oito unidades hospitalares localizadas em Campo Largo, Cornélio Procópio, Jacarezinho, Irati, Londrina e Cascavel, se credenciaram por meio de edital da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). Os hospitais devem absorver a demanda de atendimento dos municípios de abrangência de suas respectivas regiões.

Mais Informações – O usuário do Sistema Único de Saúde (SUS) que precisar destes serviços, deve procurar a Secretaria Municipal de Saúde da sua cidade para receber mais informações.

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Programa do Estado vai financiar até R$ 2 bilhões para o agronegócio

Fundo oferecerá crédito atrativo para produtores rurais vinculados às cooperativas paranaenses e empresas integradoras

O governador Ratinho Junior lançou, nesta quinta-feira (03), na B3 em São Paulo, um projeto inédito no Brasil para o financiamento do agronegócio. O Fundo de Investimento em Direitos Creditórios nas Cadeias Produtivas do Agro (FIDC Agro Paraná) é o primeiro instrumento de crédito voltado ao agronegócio criado por um Estado e deverá alavancar aproximadamente R$ 2 bilhões para financiar a expansão das atividades de produtores agrícolas vinculados a cooperativas e empresas integradoras nos 399 municípios paranaenses.

O FIDC Agro Paraná funcionará como uma espécie de ‘guarda-chuva’, sob o qual as cooperativas instaladas no Estado e empresas integradoras poderão participar, por meio da criação de outros fundos vinculados, e oferecer condições facilitadas de financiamento aos cooperados e integrados para a compra de máquinas, equipamentos, sistemas de irrigação e logística.

O Governo do Estado entrou inicialmente com um aporte de R$ 150 milhões por meio da Fomento Paraná, instituição financeira responsável pela formatação do fundo, que já dispõe de outros R$ 200 milhões para alavancar fundos da mesma natureza.

A iniciativa foi desenvolvida para oferecer uma alternativa de financiamento ao Plano Safra e de outros recursos destinados ao crédito rural, que têm se mostrado insuficientes para atender a toda a demanda nacional e no próprio Estado. Diferentemente do programa federal, cuja maior parte dos recursos são usados para custeio e comercialização da produção, o FIDC Agro Paraná será focado na oferta de crédito para melhorias e ampliação das atividades agrícolas.

Segundo o governador, a criação do fundo busca aproveitar dois dos principais potenciais econômicos do Paraná, que são a força da agroindústria e o modelo produtivo cooperativista.

“Com a ampliação da oferta de crédito, queremos estimular os investimentos em áreas que são a vocação do Paraná, tanto é que já temos quatro cooperativas que estão preparando os seus fundos, além da sinalização de outros segmentos do setor que já demonstraram interesse em aderir”, afirmou.

Ratinho Junior também esclareceu que os aportes do Governo do Estado por meio da Fomento Paraná buscam equalizar os juros dos futuros financiamentos, e que toda a gestão do fundo será privada.

“Quem definirá os investimentos que serão feitos será o setor produtivo. O que o Estado definiu foram algumas regras para incentivar a cadeia econômica, como a preferência pela aquisição de produtos feitos no Paraná”, acrescentou.

A expectativa é de que, conforme a iniciativa avance com a atração de mais investidores, o Executivo Estadual possa fazer novos aportes para multiplicar os investimentos em todas as regiões produtivas do Paraná.

“O Governo do Estado dispõe no total de R$ 2 bilhões, o que pelos nossos cálculos podem gerar uma alavancagem de até R$ 14 bilhões em investimentos totais para o agronegócio na medida em que o projeto se consolide”, concluiu o governador.

Gestão Financeira – Além de ser a principal cotista nesta etapa do processo, a Fomento Paraná atuará como o braço do Estado na definição das políticas de aplicação de recursos do fundo. A participação dela é limitada a 20% dos recursos totais aplicados, sendo o restante oriundo da iniciativa privada e de outros investidores qualificados, incluindo as próprias cooperativas.

A gestão do FIDC Agro Paraná será feita pela Suno Asset, escolhida por meio de chamada pública da Fomento Paraná. Pertencente ao Grupo Suno, a gestora possui mais de R$ 1,5 bilhão sob sua gestão, sendo mais de R$ 500 milhões investidos no agronegócio, e trabalhará para atrair mais investidores privados ao novo fundo.

“O Paraná é o primeiro Estado a ter um instrumento de crédito deste tipo, em um arranjo que também envolve as cooperativas e empresas integradoras paranaenses e uma empresa gestora, que buscarão no mercado outros investidores para alavancar o negócio”, destacou o presidente da Fomento Paraná, Claudio Stabile.

O foco inicial será nas cooperativas e empresas integradoras paranaenses, que possuem uma estrutura financeira e administrativa mais robusta, e a partir da consolidação do Fundo, diversas outras cooperativas e integradoras poderão ser atendidas.

O acesso aos recursos pelos produtores rurais cooperados e integrados será definido em uma segunda etapa e os critérios seguirão o regramento definido pela Fomento Paraná e pela Suno Asset.

“É mais uma vertente de crédito que se abre para o agronegócio paraense com uma taxa de juros e formas de amortização muito atrativas, em que as cooperativas e integradoras também poderão ganhar como investidoras do próprio fundo”, pontuou o presidente da Fomento Paraná.

Além dos investimentos serem feitos exclusivamente no Paraná via cooperativas e integradoras, o regulamento do fundo também prevê que os produtos e serviços a serem financiadas com recursos do fundo sejam prioritariamente adquiridos de empresas instaladas no Estado.

“A ideia principal é que os implementos, máquinas e equipamentos sejam preferencialmente produzidos no Paraná, criando um ciclo virtuoso de geração de emprego, renda e aumento da arrecadação”, argumentou o presidente da Fomento Paraná.

Vocação – Uma das motivações para a criação do FIDC Agro Paraná foi aproveitar o potencial das cooperativas paranaenses, que segundo o governador são um dos principais ativos econômicos do Estado. Atualmente, há 226 cooperativas atuantes no Paraná, das quais 16 figuram entre as 500 maiores empresas do Brasil e 11 entre as maiores cooperativas agroindustriais do mundo.

Em 2024, as cooperativas paranaenses tiveram um faturamento de R$ 205,7 bilhões, segundo dados do Sistema Ocepar. Com o aumento da produção e o retorno dos investimentos agroindustriais feitos nos últimos anos, a expectativa é que esta movimentação chegue a R$ 300 bilhões até 2026 e a R$ 500 bilhões em 2030.