Pesquisa da Unicentro busca melhorar saúde e produtividade do gado leiteiro com subproduto de levedura

Resíduo de cervejaria, o material que seria descartado, agora, tem um destino sustentável e produtivo

A professora Heloisa Godoi Bertagnon, do Departamento de Medicina Veterinária da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), teve seu projeto contemplado com a Bolsa Produtividade em Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico da Fundação Araucária. O apoio possibilitará a continuidade de sua pesquisa na área de nutrição e saúde animal, intitulada “Efeito de subproduto de Saccharomyces cerevisiae na saúde de vacas leiteiras no período de transição”.

“Trabalhamos com subprodutos à base de levedura, o fungo Saccharomyces cerevisiae, há cerca de quatro ou cinco anos. Quanto mais investigamos, mais questões surgem. O interessante é que, além da sua eficácia, ele é um resíduo de cervejaria, um material que seria descartado, mas que agora tem um destino sustentável e produtivo”, explica.

“Esses projetos são essenciais para engajar alunos de graduação e pós-graduação na ciência, permitindo que vejam resultados tangíveis que podem transformar o setor agropecuário no Brasil”, enfatizou Heloisa

Heloisa Bertagnon teve sua pesquisa contemplada com a Bolsa Produtividade da Fundação Araucária

Embora esse subproduto seja amplamente utilizado e estudado em aves e suínos, sua aplicação em bovinos é recente, com pesquisas mais intensas nos últimos cinco anos. Os resultados variam devido às diferenças nas doses, concentrações e formulações, o que exige um aprofundamento maior.

“Nos bovinos, observamos que o uso desses subprodutos melhora a produtividade, tanto em gado de corte – com maior ganho de peso e desempenho, e diminuição de incidência de doenças respiratórias; quanto em gado leiteiro, com aumento na produção de leite, melhoria da imunidade e redução da mastite – uma inflamação das glândulas mamárias”, apontou.

O grande foco da pesquisa nesta fase, iniciada em janeiro deste ano, é o estudo do impacto do fungo em vacas leiteiras durante o pré e pós-parto. Neste período, elas enfrentam diversas mudanças hormonais e nutricionais para preparar o bezerro e o leite, o que pode gerar um desequilíbrio energético negativo – quando gastam mais energia do que consomem -, afetando sua imunidade.

“Já sabemos que o Saccharomyces tem o potencial de melhorar a absorção de nutrientes e promover ganho de peso. Agora, queremos confirmar se ele também fortalece a imunidade nos animais. Estamos testando a dieta normal, incorporando essa levedura, e também uma versão potencializada dela, que inclui dois outros produtos: ômega 3 e ômega 6, que poderiam ajudar a melhorar ainda mais nessa questão”.

A conquista no edital da Fundação Araucária foi recebida com grande satisfação. “Fiquei muito feliz, pois é algo que é visto pelos pesquisadores como um prêmio. Significa que meu projeto foi analisado e aprovado por revisores especializados da área, que reconhecem seu mérito. Para mim, isso representa um importante reconhecimento científico”.

Heloisa afirma que a Bolsa Produtividade contribuirá significativamente para o avanço científico. “Experimentos que envolvem imunologia são extremamente caros e, sem recursos adequados, empobrecem os materiais e os métodos utilizados, além do mais, o trabalho pode não ser tão robusto”.

A docente também destaca a importância da pesquisa e da interação entre universidade e campo para o desenvolvimento das tecnologias agropecuárias. “Esses projetos são essenciais para engajar alunos de graduação e pós-graduação na ciência, permitindo que vejam resultados tangíveis que podem transformar o setor agropecuário no Brasil, um país com grande potencial nesse ramo”.

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