Excesso de chuvas pode prejudicar colheita da soja

  O excesso de chuvas nos últimos dias vem prejudicando a colheita da soja, que começou há duas semanas no Paraná. Técnicos da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento estão em campo para levantar a situação das lavouras. A principal preocupação é que as chuvas possam comprometer a qualidade do grão e adiar o plantio do milho safrinha, que começa a ser semeado assim que a soja é colhida.
De acordo com o chefe da conjuntura do Deral (Departamento de Economia Rural), Marcelo Garrido, ainda é cedo para avaliar os efeitos das chuvas, mas elas impedem que os produtores entrem nas lavouras para fazer a colheita e aplicar defensivos necessários para o controle de doenças que aparecem com o excesso de umidade. Com isso, pode haver uma perda da qualidade do grão, com o produtor recebendo menos pela produção. Mas, comparativamente, a seca costuma ser mais nociva para a soja do que a chuva diz.
A previsão do Deral é que o Paraná colha 18 milhões de toneladas de soja nessa safra, produção que, se for confirmada, será 7% superior à anterior e maior da história. A área plantada é 3% maior em relação à do ano passado, somando 5,2 milhões de hectares. A produtividade estimada é de 3.438 quilos por hectare, 4% superior à safra passada. As regiões Sudoeste e Oeste são as primeiras a iniciar a colheita da soja, seguida pela região Norte do Estado, atualmente uma das mais atingidas pelas chuvas. O auge da colheita no Paraná ocorre entre a última semana de janeiro e as primeiras semanas de fevereiro. Mas, nos últimos anos, devido ao uso de cultivares precoces, a colheita tem começado mais cedo.

Os maiores prejuízos provocados pelas chuvas com alagamentos, deslizamentos, enxurradas e interrupção do fornecimento de energia elétrica foram registrados nas regiões Norte e Noroeste.

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Força feminina acelera poder de mobilização do Sistema FAEP-PR

Encontro Estadual de Coordenadoras da CEMF bate recorde de público, reunindo 270 integrantes de 95 comissões locais

O poder de mobilização das mulheres no Paraná tem sido decisivo para acelerar a representatividade rural no Estado. Essa tendência ficou evidente no 3º Encontro de Coordenadoras da Comissão Estadual de Mulheres da FAEP (CEMF), que acontece nesta segunda (31) e terça-feira (1º de abril), em Curitiba. Ao todo, 270 integrantes de 95 comissões locais estão reunidas para participar de palestras, fazer um balanço das ações e o planejamento dos próximos passos no fortalecimento do movimento feminino e do sistema sindical rural.

Na abertura, o presidente interino do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, ressaltou que o papel feminino no campo inclui representatividade, inovação e, especialmente, a presença da família rural no agronegócio paranaense. “Um mundo melhor depende de um resgate da nossa base, nossa essência, onde tudo começa e tudo muda. Nosso principal desafio é fortalecermos ainda mais a família e os valores dentro do agronegócio. A família do agro unida já está fazendo e vai fazer ainda mais a diferença no Paraná e no Brasil”, apontou Meneguette.

O objetivo principal do evento, na sua terceira edição, é promover a integração e o networking das participantes, além da integração de estratégias de diferentes regiões para que a participação feminina continue aumentando no campo e nos sindicatos rurais do Paraná. Afinal, o fortalecimento dos grupos de mulheres se reflete diretamente na própria representatividade sindical rural.

Lisiane Rocha Czech, coordenadora da CEMF, relembrou o esforço dedicado nos últimos anos para construir uma base sólida de mobilização, que hoje atrai novas integrantes. “Quero pedir que todas nós sigamos com os pés no chão, que não pensemos em nós na hora de projetar nossos projetos e ações. Trabalhamos por algo muito maior. Nos organizando, nos preparando para um futuro melhor para as futuras gerações e todo mundo”, convocou.

A vice-presidente da Comissão Nacional das Mulheres do Agro, vinculada à Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Simone Carvalho de Paula, fez um apanhado das ações desenvolvidas a nível nacional. “Quase a totalidade do país conta com comissões estaduais, todos os Estados com comissões, a maioria efetivadas e outras em andamento. Nosso objetivo é o fortalecimento da mulher, transformando sua capacidade política e empreendedora”, enfatizou Simone.

Histórico da CEMF

A CEMF foi criada em janeiro de 2021 e já estimulou a articulação de 101 comissões locais, cada uma vinculada a um sindicato rural, atingindo 3,3 mil representantes. O Sistema FAEP tem sido decisivo no projeto, já que cada comissão local dispõe de um consultor, que ajuda na elaboração de um planejamento estratégico individualizado, considerando o contexto regional.

O movimento tem gerado frutos também no aspecto de qualificação. Cursos específicos para o desenvolvimento do público feminino têm sido promovidos, além de visitas técnicas para auxiliar nos mais diversos desafios enfrentados por cada sindicato. Com isso, as mulheres passaram a fazer parte do sistema sindical rural de forma direta, gerando valor tanto ao sistema sindical rural quanto às suas rotinas e tomadas de decisão enquanto produtoras rurais.

No Paraná, a criação da Comissão Estadual de Mulheres da FAEP tem sido um fator determinante no crescimento da participação feminina. Nos eventos promovidos pelo Sistema FAEP, elas já vêm assumindo o protagonismo. No Encontro Estadual de Líderes Rurais, realizado em dezembro de 2024, as mulheres responderam por mais de 70% dos 4 mil participantes. O número repetiu o sucesso de público e participação feminina dos dois anos anteriores.