PRESERVAÇÃO  

A casa do Visconde fecha suas portas para ser restaurada

Umas das principais e mais importantes referências históricas e culturais da cidade, o Museu guarda curiosidades, em meio à escravos e morte

Com traços de um Brasil Imperial, construção é símbolo do município (Foto: Reprodução)

 

Jonas Laskouski, com assessoria e convidados

 

O Museu Visconde de Guarapuava, em frente à Praça 9 de Dezembro, no Centro da cidade, foi fechado na última semana – temporariamente – para ser restaurado. Todo o mobiliário, peças, utensílios e relíquias estão guardados na Casa da Cultura e no Centro de Artes Iracema Trinco Ribeiro até que seja feita a reforma necessária para preservação desse importante patrimônio histórico e cultural da cidade.

 

Com a restauração, a disposição dos móveis e peças também será reformulada (Foto: Reprodução)

 

De acordo com a diretora do Departamento de Cultura do município, Rosevera Bernardim, a obra prevê o restauro dos caixilhos, troca de madeiramento do telhado e portas, entre outros serviços importante para a manutenção do prédio. “Iremos conservar as telhas, por exemplo, já que o Museu Visconde de Guarapuava foi tombado como patrimônio cultural pela Secretaria de Cultura do Paraná”, disse ela. A última reforma no Museu aconteceu há 18 anos.

 

HISTÓRIA

A data deste registro é incerta, mas deve datar de antes da última reforma, há 18 anos (Foto: Arquivo/Reprodução)

 

O monumento construído por volta de 1841, por mãos de escravos, preserva traços de um Brasil imperial. Nele viveu Antônio de Sá Camargo, o Visconde de Guarapuava, que comprou o casarão depois de deixar as terras da Fazenda da Boa Cria, em Pinhão. Atualmente, essas terras pertencem a uma família da região.

Antônio de Sá Camargo recebeu o título de Visconde das mãos de D. Pedro II, isso por sua bravura na Guerra do Paraguai e pelos serviços prestados ao Império. No casarão de sua nova cidade, castigou escravos dentro de uma pequena senzala, que ainda hoje resiste em ruínas. Depois de sua morte, o casarão foi deixado para seus sobrinhos, já que ele não deixou filhos (leia o box abaixo). A residência foi alugada e se tornou uma pensão, depois morada de duas senhoras, sala de aula e até uma Biblioteca. No ano de 1948 foi comprado pela Prefeitura de Guarapuava e transformado em museu. (As informações desse parágrafo são do então estudante de Jornalismo, Bruno Martins, publicado no blog Gorpa Cult, em 2011)

Para trazer aquela pitada a mais de informação, o Extra recebeu do historiador e professor da Unicentro, Luiz Felipe, um texto usado por ele em sala de aula sobre o ‘nobre’ Visconde. Pegue um lencinho.